MERCOSUL I - Atualidades

2008-05-29 14:03

América do Sul cria órgão para integrar continente

Presidentes de 12 países oficializaram nesta sexta-feira a criação da Unasul, em Brasília.
Conselho de Defesa Sul-Americano, no entanto, ainda não foi criado.

 

Presidentes de 12 países da América do Sul criaram oficialmente nesta sexta-feira (23) um órgão que tem como principal objetivo integrar o continente. A União Sul-Americana de Nações (Unasul) foi instituída durante reunião dos governantes em Brasília, na qual foi assinado, por unanimidade, o tratado de criação.

A presidência do órgão será alternada entre os presidentes dos países membros. Cada mandato será de um ano. A primeira presidente escolhida foi a chilena Michelle Bachelet.

Entenda o que é a Unasul

 

Apesar da oficialização da Unasul, o Conselho de Defesa Sul-Americano ainda não foi criado. Os países acharam mais conveniente criar um grupo de trabalho para concluir em 90 dias a proposta de criação do Conselho, como desejava o Brasil.

Para o presidente Lula, o grupo de trabalho será importante para atender aos diferentes interesses dos países da região. Os presidentes não consideraram o adiamento da criação do Conselho como um "fracasso".

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 'Alma lavada'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar de “alma lavada” com a oficialização da União Sul-americana de Nações (Unasul) a partir da assinatura do tratado de criação nesta sexta. Para o presidente, a formalização da organização é um marco importante da integração da região. A formação da Unasul começou a ser debatida em 2004 na cidade de Cuzco, no Peru.

“Estou de alma lavada porque parecia impossível há quatro anos nós três estarmos na mesma mesa comunicando que demos passo importante na criação da nação sul-americana”, afirmou Lula, ao lado dos presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Chile, Michelle Bachelet.

Lula destacou que o tratado não significa que os membros tenham de abrir mão da soberania nacional. Ele mencionou o modelo da União Européia como o ideal a ser seguido pela nova entidade sul-americana. O presidente brasileiro destacou que, quando países europeus tiveram posições divergentes sobre a guerra no Iraque, a adoção do Euro ou a Constituição única, não houve enfraquecimento da organização.

Para Lula, apesar de não ter dinheiro para ajudar os países mais pobres, como ocorreu na União Européia, a Unasul tem todas a condições de ampliar a integração dos países, fazendo com que a América do Sul dê um “salto gigantesco no desenvolvimento econômico e social”.

 

 Um ano

Presidente da Unasul por um ano, Bachelet destacou que foi acertado um regime transitório para a organização até que todos os congressos referendem o acordo assinado nesta sexta-feira. Para ela, a integração é um meio para “melhorar as condições de vida da população”.

Segundo a presidente chilena, a intenção é realizar encontros periódicos entre os chefes de estado da Unasul para aumentar o nível de discussão política na organização. O objetivo é evitar e prevenir conflitos, como o registrado entre Colômbia, Equador e Venezuela. “O diálogo franco é o melhor mecanismo de buscarmos uma relação de respeito.”

 

Entenda o conflito entre Venezuela, Equador e Colômbia

 

O presidente da Bolívia afirmou que, com a entidade, será possível encontrar soluções conjuntas para problemas mundiais, como a crise dos alimentos. Morales acredita que a união dos países sul-americanos ajudará também no aproveitamento do potencial energético da região.

 

 Integração

Os países da União Sul-americana das Nações (Unasul) criaram um grupo de trabalho para concluir em 90 dias a proposta de criação de um Conselho de Defesa Sul-americano, como deseja o Brasil. Para o presidente Lula, o grupo de trabalho será importante para atender aos diferentes interesses dos países da região. Os presidentes não consideraram o adiamento da criação como um "fracasso".

Em entrevista coletiva após a reunião em que foi oficializada a criação da Unasul, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, que assumiu a presidência da organização, anunciou a formação do grupo para analisar a proposta do Conselho. “A proposta será analisada por meio do mecanismo de grupo de trabalho que em 90 dias concluirá a proposta feita pelo presidente Lula, dando a ênfase de cada país”, afirmou Bachelet.

 

 Amazônia

Bachelet manifestou apoio do Chile à proposta, mas ressaltou que é preciso debater melhor o tema devido à diversidade da região. Para a presidente chilena, a criação do grupo de trabalho não pode ser interpretada como um fracasso porque o tema segue em discussão pelos países.

O presidente Lula destacou que temas envolvendo vários países geralmente são discutidos por vários meses antes de se tornar um fato concreto. “Precisamos ter nosso setor de defesa pensando conjuntamente e isso só será possível se nós criamos um instrumento. O que foi aprovado no encontro é uma coisa importante porque teremos em 90 dias a proposta final do Conselho de Defesa.”

Lula destacou a necessidade de integração para que os países sul-americanos possam planejar de forma conjunta a defesa da Amazônia, do Pacífico, do Atlântico e do Mar do Caribe.

 

 

 

América do Sul caminha para moeda e Banco Central únicos, diz Lula

União Sul-Americana de Nações (Unasul) vai tratar do tema. Segundo presidente, ‘é preciso ajudar países economicamente mais frágeis’.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, ao longo do programa de rádio “Café com o presidente”, que foi ao ar na manhã desta segunda-feira (26), que os países da América do Sul caminham para ter, no futuro, moeda e Banco Central únicos. Ele defendeu a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano e ajuda aos países economicamente mais frágeis.

“Nós agora estamos criando o Banco da América do Sul. Nós vamos caminhar para termos um Banco Central único, para ter moeda única. Isso é um processo e não é uma coisa rápida”, afirmou o presidente.

Lula falou sobre o assunto ao explicar sobre o tratado de criação da União Sul-Americana de Nações (Unasul), acordo assinado por vários chefes de estados na semana passada, em Brasília.

 90 dias

“Ficou para nos próximos 90 dias a gente elaborar melhor a proposta (de criação de moeda e Banco Central únicos na América do Sul), tirar algumas divergências e aprovar. A verdade é que, dos 12 países, apenas a Colômbia colocou objeção. Depois eu conversei com o presidente Uribe. Vamos voltar a conversar. E eu acho que as coisas vão se acertar”.

De acordo com Lula, a América do Sul e o Brasil estão no caminho certo. “O que é importante para mim é uma frase que eu disse quando tomei posse em 2003: ‘nós vamos começar fazendo o necessário, depois a gente vai fazer o possível e quando menos imaginar nós estaremos fazendo o impossível’. Era impossível, há cinco anos, a gente pensar que a situação da América do Sul estivesse do jeito que está, com muitos presidentes comprometidos com a maioria do povo, com a inclusão social, eleitos democraticamente, com as instituições se fortalecendo e com a criação da Unasul”, disse.

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 Soberanos

O presidente está esperançoso com a criação do organismo sul-americano. “Me sinto feliz pelo fato de termos criado a Unasul. Eu lembro quando em 2004, em dezembro, na cidade de Cuzco, Peru, tivemos a idéia de criar uma União Sul-Americana de Nações. Parecia uma coisa impossível porque aqui na América do Sul fomos preparados, doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos EUA e da União Européia. O que aconteceu é que mudou a geopolítica da América do Sul. Mudou em todos os países. Mudou a compreensão de que, juntos, poderemos ser muito mais fortes e soberanos. E que poderemos fazer mais e melhor. Na União Européia, tivemos países que não aceitaram moeda única, que não aceitaram a constituição, e, nem por isso, as pessoas falavam em crise. É uma coisa normal de uma convivência democrática na diversidade”.

Para Lula, a Unasul será um avanço na região. “Isso vai facilitar que a gente negocie com outros blocos em conjunto, que com esse estabelecimento do tratado e da confiança mútua, possamos fazer mais obras de integração. Poderemos fazer mais ferrovias, rodovias, pontes, linhas de transmissão. Ou seja, acho que foi a realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que trabalhar muito. O primeiro passo foi dado de forma extraordinária”.

 Países mais frágeis

Lula não tem dúvida de que a Unasul será a solução para muitos problemas na América do Sul. “Nós vamos vencendo as barreiras e também os céticos. É importante a gente lembrar o que era a América do Sul poucos anos atrás e o que é agora. Há uma evolução extraordinária. Mesmo a compreensão de setores brasileiros do empresariado, que antigamente não tinham coragem de fazer qualquer investimento nos países na América do Sul, e hoje nós temos dezenas de empresas brasileiras investindo em todos os países da América do Sul. Nós precisamos investir na Bolívia, fortalecer o Paraguai, o Uruguai, que são os países economicamente mais fragéis. Nós temos obrigação de ajudá-los. Porque quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul mais tranqüilidade todos nós vamos ter, mais paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda, desenvolvimento. É isso que nós buscamos para a América do Sul e eu acho que é isso que foi consolidado com a assinatura do tratado”.

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